quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Passeio a Santa Maria/RS

Alunos da E.E.E.F. Dr. Mário Vieira Marques - CIEP se divertem em passeio em Santa Maria

Alunos da E.E.E.F. Dr. Mário Vieira Marques - CIEP em Santa Maria/RS.

Professores, funcionários e alunos do CIEP.
















segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Olimpíada de Língua Portuguesa 2012 - 3ª edição

Aluna do CIEP é selecionada para a etapa estadual da Olimpíada de Língua Portuguesa


Crônicas produzidas pelas alunas da 8.ª série para participar da 3.ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro"

Confiram, abaixo, algumas crônicas elaboradas pelas alunas da 8.ª série, sobre o tema "O lugar onde vivo":




Entre quatro paredes

Na casa onde vivo, há três dormitórios e um deles, ainda que temporariamente, pertence a mim. Meu quarto, contudo, não tem pintura, não é bonito nem possui a sofisticação daqueles cômodos de revistas de decoração, que mais parecem ter sido retirados de contos de fada. Ainda assim, o melhor da minha alcova é que nela posso repousar tranquilamente e trancá-la para que ninguém a invada sem minha permissão.
Há dias em que meu quartinho está limpo e organizado, mas, algumas vezes, transforma-se, ou melhor, eu o transformo numa verdadeira baderna. A verdade é que, estando asseado ou bagunçado, eu sempre o mantenho trancado.
A única janela do cômodo não tem grades, porém, ao abri-la, posso contemplar a beleza das árvores e ouvir o canto dos pássaros, que voam livres pela região.
Ali, naquele pequeno quarto, a tristeza surge pela manhã e, às vezes, permanece até o final da tarde, porque, nesse período, ele não é habitado; isso até que vem a noite, chego em casa e meu acanhado quarto se alegra, já que ali me esqueço dos problemas e o preencho com meus pensamentos, sonhos e sentimentos de felicidade.
Para qualquer pessoa, meu quarto pode não parecer bonito, mas, para mim, ele possui um valor enorme e uma beleza indescritível.
Amanhã de manhã, tem aula, os problemas do cotidiano ressurgirão em meu caminho e meu quarto voltará a ficar vazio, triste e silencioso. Durante boa parte do dia, aquele cômodo solitário ficará ali melancólico, à minha espera, para, quando a noite chegar, a sua alegria voltar com a minha terna presença entre essas quatro paredes que compõem o meu universo particular.    
Thainá Paveglio Corrêa




Minha Querência

Nos meus tempos de guria, tudo parecia mais fácil e, de fato, o mundinho onde eu vivia era menos complicado: havia pouquíssimos rios poluídos, quase não se via lixo acumulado em terrenos e pátios, nem tínhamos de morar próximo a traficantes ou usuários de drogas. Na verdade, era um lugar bom de se viver. Agora está tudo diferente: há pouca segurança no bairro, mais armas nas ruas e muita gente morrendo: morrendo de fome, morrendo de dor, morrendo de vergonha, morrendo por falta de vergonha,  morrendo por falta de força de vontade, morrendo de medo...
Contudo, o lugar onde vivo não se resume a isso. Às vezes, paro para refletir e fico pensando que, nesse mesmo local cheio de problemas, existem também muitas coisas boas como, por exemplo, escola perto de casa, posto de saúde aberto à comunidade, quadra de esportes, vizinhos companheiros para todas as horas e o mais importante: amigos unidos e verdadeiros.
 Apesar de todos os problemas típicos das cidades pequenas, costumo dizer que aqui, no interior do Rio Grande do Sul, é um lugar bom para se viver, não é igual à cidade grande em que só se vê prédios e mais prédios, engarrafamentos no trânsito e poluição. No local onde habito, há uma grande diversidade de pássaros, árvores de várias espécies, ar puro e um céu azul tão límpido, que parece ter sido retirado de uma aquarela.
No inverno, nada se compara à deliciosa sensação de comer bergamota, após o almoço, lagarteando sob o sol, que parece brilhar com mais intensidade sobre os pampas gaúchos.
Em cidade grande, é tudo mais corrido, as pessoas mal se cumprimentam e não sobra tempo nem para fazer aquele pãozinho caseiro, que deixa um cheirinho saboroso por toda a casa.
Minha região, que faz parte da Rota das Missões, é conhecida também pelas comidas típicas e pelo tradicionalismo gaúcho, que tanto cultivamos, mas o melhor de tudo é que não abrimos mão de reservar um tempinho para prosear e tomar chimarrão com amigos e vizinhos nesse pequeno mundo mágico que é o meu cantinho.
Luana Albres de Brum


Impagável Paz

 O lugar onde habito tem vários vizinhos legais e divertidos, mas, na rua onde moro, há também muitos cachorros incomodativos, sem falar nos gatos.
Todo dia é assim: limpo o chão ao lado de casa e vem um daqueles felinos pisa na calçada, sapateia, pula, faz miséria... Além disso, todos sabem que o dobro de dois é quatro e, dessa forma, fica o piso com a marca das inúmeras patinhas dos bichanos. É de dar nojo, mas não é apenas isso que me incomoda, o pior de tudo é que, diariamente, penduro as sacolas de lixo numa grade de ferro e, no outro dia, quando acordo, tenho de juntar o que restou dos sacos de lixo e catar os detritos espalhados pelo pátio, porque os “benditos” gatos estraçalharam as sacolas que eu havia pendurado na grade para o lixeiro recolher.
Para piorar a situação, tem mais um problema: a dona dos malditos felinos mora bem em frente à minha casa e, sem mentira nenhuma, a infeliz cria uns oito gatos que, no pôr do sol, para meu desprazer, parecem estar sempre olhando fixamente para mim.
Na minha rua, há também um senil senhor que mora com a vizinha do lado. Até hoje, não sei se é marido ou filho dela, a única certeza que tenho é de que o tal decrépito é tarado. Toda vez que estou indo para o colégio, aquele cidadão de idade avançada está lá na porta, espiando... Uma vez, lhe pediram para parar de olhar para as guriazinhas, que têm idade para serem filhas ou até netas dele, e sabe o que atrevido ancião disse? “Mas elas não são minhas filhas nem minhas netas!”. 
Pois é, no lugar onde vivo tem de tudo. Entretanto, se, hoje, eu tivesse de sair daqui, certamente sentiria saudade... saudade dos gatos me olhando, dos vizinhos legais e divertidos, dos cachorros incomodativos e até das marcas das pegadas dos travessos felinos na calçada lambuzada de barro.
Afinal, tudo na vida tem o seu lado positivo e, apesar de todos os incômodos do dia-a-dia, na nova casa em que moro, existe algo de muito precioso: a paz, paz esta que eu jamais tivera na minha antiga morada.
                                                                            Thauana Pavlegio Corrêa



Lugar de lixo é no lixo
  
Situado na pequena cidade de São Luiz Gonzaga, no interior do Rio Grande do Sul, o bairro onde vivo é um lugarzinho no cantinho do mapa. Modesto e com inúmeros problemas, o local tem lá suas qualidades, a começar pelo seu nome: Boa Esperança.
Foi ali que passei toda a minha infância e é ali que vivo agora minha adolescência.  Muitas vezes, quando fico com raiva e com vontade de desistir de tudo, subo no galho mais alto, da mais elevada árvore que há ao redor da minha casa, e passo horas lá em cima, até me acalmar, observando a esplêndida paisagem com a qual o nosso Rio Grande nos brinda. Nesses momentos de reflexão, fico pensando no que eu faria para abrandar meus rompantes de fúria caso morasse em cidade grande. Afinal, nas metrópoles, é impossível subir em árvores para espairecer, uma vez que lá só enxergamos prédios enormes, congestionamentos no trânsito, um barulho ensurdecedor e muita fumaça poluindo o ar do nosso planeta.
 Numa dessas vezes, ao descer da árvore, já mais serena, olhei ao redor do local onde vivo e percebi que ali havia muitos problemas que poderiam ser solucionados, bastando, para isso, que todos os moradores do bairro se dispusessem a ajudar de alguma maneira. Pensando nisso, decidi convocar todos os habitantes da comunidade para debater os problemas que ali existiam e dificultavam o dia-a-dia da pequena população.
Na ocasião, todos tiveram a oportunidade de falar um pouco sobre aquilo que consideravam ruim no bairro. Dona Maria discorreu sobre o fato de colocarem lixo no seu pátio; Seu Emerson, que trabalha com reciclagem e é considerado o mais “reclamão” de todos, resmungou um pouco e, em seguida, informou aos presentes na reunião que existe um corregozinho, nas redondezas, que está abarrotado de detritos. Além disso, ele ressaltou que as crianças reclamam diariamente que há também muito entulho no campinho de futebol. E eis que chega a vez de eu expor a minha opinião. Para início de conversa, decidi fazer algumas perguntas: – Seu Emerson, o Senhor que é quem mais reclama, pense bem e me responda onde coloca o lixo que não pode ser reciclado? – Às vezes, eu coloco no pátio da Dona Maria. – E a Senhora, Dona Maria, onde põe o lixo que retira do seu quintal? – Ah, geralmente, eu ponho no campinho de futebol. Então, Seu Emerson, chegou a hora de lhe fazer mais uma pergunta: já que o Senhor reclamou do lixo que é despejado no corregozinho e mora bem ali atrás do arroio, me responda, com sinceridade, onde costuma colocar todo o material que não lhe dá lucro? – Bah! Vou ter de confessar que, algumas vezes, eu mesmo jogo as sobras no córrego.  
Foi só então que todos se deram conta de que cada um é responsável pela preservação do meio onde vivem e que, portanto, é preciso que cada cidadão zele pela organização, limpeza e manutenção da rua, do bairro, da cidade, do Estado, do país e do planeta que habita, “pelo bem de todos e pela felicidade geral da nação”. 
Jessi Ana Cornélio Garcia


Rua da Amargura

 O lugar onde vivo é uma estrada sombria, com muitos cachorros e casas que parecem vazias, com pessoas caladas, tristes e calejadas com o trabalho pesado que enfrentam no dia-a-dia.
Lá também tem casas com gente feliz, com quem tem para dar aos filhos aquilo que sempre quis.
Na rua onde moro, passa homem, passa mulher, criança, jovem, velho e meretriz, mas, além de tudo, passa a esperança no coração daqueles que sonham com uma vida mais digna e feliz.
Quando chove, há barro por todos os lados, mas, em compensação, do solo exala aquele delicioso cheirinho de terra molhada, que, com seu inconfundível perfume, se espalha por toda a invernada.
 Na minha pequena cidade, o lazer dos moradores é ficar nas esquinas e casas vizinhas, tomando mate e conversando sobre crianças, doenças e galinhas.
Minha humilde residência fica de frente para a rua e, portanto, se depara diariamente com suas tristezas e amarguras. Porém, apesar de todas as angústias e da vida dura, ali ainda existem famílias felizes com o que tem para viver e com o coração repleto de ternura. 
                                                                           Josiane Amaral Antunes



Terror Noturno

 No momento em que acordo, é só ilusão, vejo uma casa sombria e escura, mas compreendo que ainda estou meio dormindo. Nossa! Pare tão real... os quatro pilares desabando, a tortura começando, as cerâmicas voando e o mundo parecendo se acabar. Ouço vozes gritando, pessoas chorando e casas despencando. Parece a imagem do inferno.
Acordo prestes a dar um grito, porém sinto-me enfraquecida, com receio de levantar e vivenciar tudo aquilo novamente: os olhares, os gemidos, as dores... Ainda na cama, fico refletindo sobre a importância de tudo aquilo ser real e, para falar a verdade, nem consigo pensar direito. Parece até que levei um choque, é o início de uma guerra. De repente, contudo, ouço uma voz sussurrando em meu ouvido. –“ Filha, levanta! O café está servido!” Minha mãe, tão ingênua, sem saber o que está acontecendo, não percebe o que está se passando comigo.
Levanto às pressas, me dirijo até a cozinha, olho para minha mãe e pergunto se esta tudo bem, se algo de errado havia acontecido, se casas estavam desabando e muros caindo. Ela me olha com uma cara de assustada e diz: – “Filha, você teve um pesadelo com o filme a que assistiu no cinema, aquele em que o mundo se acaba e que parece a própria visão do inferno”. – Foi isso que aconteceu, mãe?
Assustada, saio correndo em direção à rua até que me deparo com um dia calmo e ensolarado, e me questiono: será que tudo aquilo ocorreu apenas em função de um filme a que assisti ou minha imaginação foi longe demais? Ainda confusa, só consigo chegar a uma conclusão: acho que parar de assistir a certos filmes vai me trazer bons sonhos e um sono mais tranquilo. Afinal, de pesadelos já bastam os que temos de enfrentar na dura lida do dia-a-dia.
  
Susimara Santos do Prado




A cada segundo


Há bem pouco tempo, me mudei do interior do Rolador para a cidade de São Luiz Gonzaga, que também fica localizada no interior do Rio Grande do Sul. Aqui no lugar onde vivo atualmente, os habitantes mal se olham. As pessoas passam umas pelas outras sem ao menos darem um bom dia.
De dia e de noite, há barulho por todo lado: é choro de criança, é música em altos volumes, é cachorro latindo, gente discutindo etc. Aqui no local onde moro, raramente se ouve falar e paz. Uns brigam em bailes, festas e nas ruas sem parar, até que a polícia vem e eles vão parar no xilindró.
Contudo, aqui também tem diversão, há vários lugares bonitos para se visitar, passear e se divertir. Só que, a cada minuto que passa, os dias se vão, os anos seguintes chegam e o povo permanece à espera de mais tranquilidade, paz e oportunidades.
E, assim, devemos ir até o fim, lutando por uma vida melhor, sempre com o coração cheio de esperança, esperança esta que, por mim, nunca irá se findar. Afinal, tenho certeza de que, algum dia, a sociedade vai conseguir acabar com a fome pela qual algumas famílias passam anos e anos a fio...
                                                                                                      Carine da Silva Trindade

Minha vida


Fico indignada ao ver como algumas pessoas reclamam do local em que vivem. No lugar onde moro, numa cidade pequenina no interior do Rio Grande do Sul, há poucas oportunidades e pouco emprego, mas é muito agradável de se viver.
Na minha rua, os vizinhos são muito alegres e é tudo tão calmo que acho até engraçado quando algum morador incomoda. Eu gosto de morar ali porque eu amo aquele lugar, mas sei que, algum dia, terei de sair de lá. E, quando este dia chegar, certamente sentirei saudades...
Gosto de levantar cedo, ouvir o canto dos pássaros e depois vê-los voar pelo mundo afora. Também adoro comer frutas fresquinhas porque elas são deliciosas e fazem muito bem para a nossa saúde. Amo brincar com as crianças do meu bairro porque a gente tem a oportunidade de ensinar um monte de coisas boas para elas. Mas meu maior sonho é descobrir o mundo por aí afora, porque há tantos países que eu gostaria de visitar. Se eu pudesse, passaria a vida viajando para conhecer cada pedacinho do nosso planeta.
Eu amo cada árvore plantada porque, sem elas, nós não iríamos conseguir respirar. Também amo as plantas, as flores e, principalmente, os animais. Afinal, eles devem ser respeitados como os seres humanos, pois, sem eles, não teríamos como nos alimentar. O planeta Terra tem poucas árvores porque os homens desmatam as florestas e destroem a vegetação sem se preocuparem em replantar cada árvore que é derrubada.
Na minha vida, não há muito espaço para a felicidade porque eu não tenho tudo que gostaria de ter, mas, nem por isso, fico reclamando o tempo todo, afinal tenho certeza de que Deus me dará tudo em dobro.
Moro numa casa pequena, mas muito agradável, porque ali eu tenho tudo de que preciso para viver, principalmente a minha família, já que sem ela eu não existiria.
Para falar a verdade, eu tenho muito medo de perder familiares e amigos. Portanto, se eu tivesse o poder de mudar o mundo, com certeza eu acabaria com as drogas, porque há muitas pessoas morrendo por causa do vício em entorpecentes e, sinceramente, eu odeio ter de ficar longe das pessoas que mais amo nessa vida, depois da minha família, por causa de uma viagem sem volta.

Fabiane Ribeiro Nunes